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TRANSTORNO BIPOLAR E OBESIDADE

Muitas vezes atribui-se ao tratamento medicamentoso o papel de vilão no ganho de peso em portadores de transtorno bipolar (TB). Isso leva com freqüência à falta de adesão, à interrupção do tratamento, o que traz conseqüências sérias, como recaídas.

É verdade que certos medicamentos empregados no tratamento do TB, como alguns estabilizadores do humor e antipsicóticos atípicos, por exemplo, podem se associar ao aumento de apetite e ao ganho de peso. É também verdade – e isto deve ser sempre reforçado – que muitas medidas preventivas podem ser tomadas (por exemplo: orientação nutricional, atividade física programada, trabalho com equipe multidisciplinar). Às vezes não é fácil, mas é importante que se dedique atenção especial a esta questão.

Porque, pelo que parece, o risco de desenvolver obesidade e alterações metabólicas não se relaciona apenas ao uso de medicações. Forte indício disso é que Kraepelin, famoso psiquiatra alemão que desenvolveu um importante trabalho antes do uso de medicamentos na Psiquiatria, já relatara sua observação de que pacientes bipolares apresentavam maior freqüência de obesidade. Nada mais atual! Uma questão muito discutida entre profissionais da área, nos últimos anos, é a maior chance de que portadores do TB desenvolvam a obesidade e “Síndrome Metabólica”.

O índice de massa corpórea (IMC) é calculado pela fórmula IMC= Peso / Altura2 . Na literatura encontramos relatos de que até 68% dos portadores do TB que procuram tratamento, em diversos centros do mundo, apresentam sobrepeso (IMC entre 25 e 29,9 kg/m2 ) ou obesidade (IMC ³ 30 kg/m2)!  Aqui no Brasil, pesquisadores do Programa de Transtorno Bipolar (PROMAN) do Instituto de Psiquiatria Universidade de São Paulo observaram cerca de 37% dos pacientes eram obesos. E, nos Estados Unidos, pesquisadores da Universidade de Pittsburgh associaram a obesidade a um maior risco de suicídio entre portadores de TB.

E a “Síndrome Metabólica”, o que significa? É um conjunto de fatores de risco para doenças cardiovasculares, definida pela presença de 3 ou mais dos seguintes itens:

  1. circunferência abdominal > 102 cm em homens e 88 cm em mulheres;
  2. níveis de triglicérides em jejum ³ 150 mg/dL ou em uso de medicações para controlar o nívle de triglicérides ;
  3. fração HDL do colesterol < 40 mg/dL em homens e 50 mg/dL em mulheres ou em uso de medicações para controlar o colesterol;
  4. pressão arterial ³ 130/85 mmHg ou em uso de anti-hipertensivos;
  5. e) glicemia de jejum ³ 110 mg/dL ou em uso de medicações para controlar a glicemia

Segundo vários pesquisadores, o diagnóstico de síndrome metabólica entre portadores de TB se relaciona à pior qualidade de vida, maior risco de mortalidade por causas cardíacas e maior risco de desenvolver diabetes mellitus tipo II.

Portanto, o que fica como mensagem: prevenção, atenção, intervenção.

Prevenção diz tudo. Alimentação, atividade física, avaliação física regular, controles laboratoriais. Atenção diante de parâmetros que fujam aos padrões da normalidade e, quando necessário, intervenção especializada precoce.

FONTE: ALMEIDA, Karla Mathias de ; MACEDO-SOARES, M. B. ; ISSLER, Cilly Klüger ; AMARAL, José Antonio ; CAETANO, S. C. ; DIAS, Rodrigo Silva ; LAFER, Beny . Obesity and metabolic syndrome in brazilian patients with bipolar disorder. Acta Neuropsychiatrica, v. 21, p. 84-88, 2009.

 


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