O transtorno de ansiedade social (TAS), ou fobia social, é comum (pode acometer até 16% da população geral), apresenta um curso crônico, está associado a importantes prejuízos no funcionamento social e profissional e, em casos mais graves, pode ser incapacitante. A maioria dos casos se inicia precocemente, antes dos 18 anos de idade (o início precoce é descrito em cerca de 75% dos casos).

As principais características clínicas do TAS são: o temor do julgamento negativo por outras pessoas, o receio de passar por situações embaraçosas e a evitação de situações sociais e profissionais em que isso possa ocorrer. Como exemplos no dia a dia, o portador teme ou evita falar em público, fazer apresentações, escrever ou assinar diante de outras pessoas, comer na presença de outros, usar banheiros públicos, trocar-se em vestiários, participar de reuniões e festas sociais, ter encontros amorosos, conversar com pessoas hierarquicamente superiores, por exemplo. O temor pode estar relacionado a alguma situação em especial, ou a várias situações de exposição, quando o chamamos de transtorno de ansiedade social generalizado. Os portadores, quando estão diante dessas situações, frequentemente apresentam rubor facial, tremores nas mãos, sudorese abundante, taquicardia, náuseas, urgência urinária, e podem até mesmo ter ataques de pânico.

A associação do TAS com outras condições psiquiátricas é comum. Observamos uma chance maior, entre os portadores, para o desenvolvimento de abuso e dependência de álcool e outras substâncias psicoativas (que teriam um papel de facilitadores para o enfrentamento de situações geradoras de ansiedade), depressão, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno do pânico, por exemplo. Quando presentes em comorbidade, essas condições agravam a evolução dos portadores de TAS, suas consequências, e a presença de ideias de suicídio não é rara.

O tratamento é realizado com a associação de medicamentos e a psicoterapia, em especial da linha cognitivo-comportamental. O tratamento farmacológico e psicoterápico, em combinação, propiciam os melhores resultados. Os medicamentos mais frequentemente empregados são os antidepressivos. A psicoterapia auxilia no aprendizado de técnicas de enfrentamento das situações temidas, com a abordagem das cognições distorcidas a elas associadas. Com alguma frequência são recomendados também acompanhantes terapêuticos para auxiliar o paciente no desenvolvimento de habilidades para o enfrentamento das situações de exposição temidas.

Fontes:

Diretrizes da Associação Médica Brasileira para o diagnóstico e diagnóstico diferencial do transtorno de ansiedade social. Rev. Bras. Psiquiatr. 32 (4), 2010. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462010005000029

American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 5th. Edition. Washington DC, American Psychiatric Press, 2013.

Hofmann SG, Heinrich SBN, Moscovitch DA. The nature and expression of social phobia: toward a new classification. Clinical Psychology Review 24: 769-797, 2004.