A ciência tem mostrado que nossos músculos fazem muito mais do que movimentar o corpo. Quando se contraem — especialmente durante a prática de exercício físico — eles liberam substâncias chamadas miocinas, que agem em diversos órgãos, inclusive no cérebro.
Essas miocinas funcionam como mensageiras entre o corpo e o sistema nervoso. Algumas delas são capazes de atravessar a barreira hematoencefálica e promover neuroproteção, crescimento de novas conexões neurais, melhora da memória e da atenção.
Entre as principais miocinas com impacto cognitivo, destacam-se: o BDNF (Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro), que estimula a formação de novas conexões cerebrais e está diretamente ligado ao aprendizado e à memória; a irisina, derivada do músculo em movimento, que favorece o crescimento de neurônios e tem efeito protetor contra doenças neurodegenerativas.
A cathepsina B, associada à melhora da memória e à neurogênese, especialmente após treinos de resistência; a IL-6 que, apesar de conhecida como inflamatória, quando é induzida por atividade física tem ação anti-inflamatória e pode ajudar a modular processos cerebrais; e a IGF-1, que estimula a plasticidade neural e é importante para a regeneração e manutenção do tecido cerebral.
Estudos recentes mostram que programas regulares de atividade física, especialmente os que combinam treinamento de força e exercícios aeróbicos, promovem melhora da cognição, reduzem o risco de demência e até revertem casos leves de comprometimento cognitivo. Isso também ajuda a explicar por que a sarcopenia (perda de massa muscular com o envelhecimento) está associada a um risco aumentado de declínio cognitivo.
Em resumo: músculo ativo, cérebro protegido. Se queremos preservar nossa saúde mental ao longo da vida, o exercício físico precisa estar no centro da estratégia.
Referências:
- Lourenço et al. (2020)
https://doi.org/10.1002/dad2.12034 - Lourenço et al. (2022). https://doi.org/10.3389/fncel.2022.953991
- Pedersen BK (2021). https://doi.org/10.1016/j.brainresbull.2021.07.023
- Avgerinos et al. (2023). https://doi.org/10.1016/j.metop.2023.100233


