Quando alguém se machuca intencionalmente, a dor se torna mais do que um pedido de socorro — é também uma forma de expressar o que parece impossível de dizer.
A autolesão é caracterizada pelo ato intencional de ferir o próprio corpo sem intenção de provocar a morte. Pode envolver cortes, queimaduras, arranhar-se ou se bater. Esse comportamento costuma surgir como uma tentativa de alívio emocional temporário, especialmente em jovens que têm dificuldade de verbalizar sentimentos diante de situações intensas.
Segundo a revisão de Patra et al. (2022), entre 13% e 18% dos adolescentes relataram já ter praticado algum tipo de autolesão. O comportamento é mais comum entre meninas e costuma ter início por volta dos 13 anos de idade.
Entre os principais fatores associados estão: sintomas de ansiedade e depressão, histórico de trauma, bullying, conflitos familiares, impulsividade e dificuldade na regulação emocional.
Mesmo quando não há intenção suicida, a autolesão merece atenção. Jovens que apresentam esse comportamento têm maior risco de desenvolver ideação ou tentativas de suicídio na vida adulta.
Se você conhece alguém que se machuca, não minimize. Pergunte, escute, oriente a buscar apoio psicológico. Vínculos afetivos seguros, amigos que acolhem, escolas que escutam e espaços de confiança, onde o sofrimento não é ridicularizado, são fundamentais para ajudar adolescentes a lidar com a dor emocional sem transformá-la em feridas físicas.
Fontes:
• Patra, B. N., Sen, M., Sagar, R., & Bhargava, R. (2022). Deliberate self-harm in adolescents: A review of literature. Industrial Psychiatry Journal, 32(1), 9–14.
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC10236686
• Swannell, S. V., Martin, G. E., Page, A., Hasking, P., & St John, N. J. (2014). Prevalence of nonsuicidal self-injury in nonclinical samples: Systematic review, meta-analysis and meta-regression. Suicide and Life-Threatening Behavior, 44(3), 273–303.
https://doi.org/10.1111/sltb.12070
• Gillies, D., Christou, M. A., Dixon, A. C., Featherston, O. J., Rapti, I., Garcia-Anguita, A., Villasis-Keever, M., Reebye, P., Christou, E., Al Kabir, N., & Christou, P. A. (2018). Prevalence and characteristics of self-harm in adolescents: Meta-analyses of community-based studies 1990–2015. BMC Psychiatry, 18(1), 72.
https://doi.org/10.1186/s12888-018-1593-5


