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Por que, para algumas pessoas, é mais difícil “começar” o ano?

O início do ano costuma vir acompanhado de uma ideia quase obrigatória de recomeço. No entanto, essa narrativa não é universal. Para algumas pessoas, esse período desperta sensações de atraso, inadequação ou exaustão. Isso ocorre como resultado de uma combinação de fatores biológicos, psicológicos e sociais.

O começo do ano funciona como um marco simbólico que ativa processos de autoavaliação: fazemos balanços, comparamos expectativas com resultados e projetamos o futuro. Para pessoas com transtornos do humor, como depressão e transtorno bipolar, ou com quadros de ansiedade, esse movimento pode intensificar sentimentos de fracasso, culpa e desesperança.

A dificuldade de “começar” algo está relacionada aos circuitos cerebrais da motivação, especialmente aqueles que envolvem a dopamina. Em quadros depressivos, esses circuitos funcionam de forma menos eficiente. A pessoa não sente apenas tristeza; há uma redução real da capacidade de antecipar prazer, interesse ou recompensa.

Além disso, para quem vive em estado de estresse crônico, o início do ano pode representar a continuidade — ou até o agravamento — de um esgotamento acumulado. Não é incomum observar piora de sintomas justamente nesse período.

Outro fator relevante é a chamada ansiedade de desempenho. Pessoas com traços ansiosos, perfeccionistas ou com histórico de autocrítica intensa podem entrar em um modo de cobrança constante. Nesse contexto, o medo de falhar compromete a capacidade de dar o primeiro passo.

Há ainda o impacto das experiências passadas. Para quem viveu frustrações profissionais, perdas afetivas ou luto, o ano novo pode não simbolizar esperança, mas sim incerteza ou uma nostalgia dolorosa em relação ao que ficou para trás.

É importante lembrar que não existe um “botão de reset” em 1º de janeiro. Reconhecer a dificuldade de começar é o que permite encontrar formas possíveis de avançar. Às vezes, o começo é retomar um horário de sono, marcar uma consulta ou dar um pequeno passo. E, se você sente que está “atrasado” para iniciar o ano, isso não é uma falha — pode ser apenas o ritmo necessário para reorganizar a mente.





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